"NEBRO" - CONTINUAÇÃO 12/05/2019
SEGUNDA PARTE
NEBRO APRESENTA-SE A VICTOR EM SEU APOSENTO.
Aproveitando-se do estado
de profundo abatimento e semissono em que se encontrava Victor, o demônio Nebro
envolvido por densa nuvem de fumaça, penetra quarto adentro e materializa-se
num homem comum, de vestimentas sóbrias e aspecto agradável.
Victor em seu torpor não
dá-se conta logo do estranho desconhecido. E, só após esfregar bem os olhos
indaga da figura que vê:
VICTOR
Quem és tu? Como conseguiste adentrar meus aposentos se passei a chave ao
chegar?
NEBRO
Para mim não há buraco que não me caiba nem espaço que não possa eu
preencher.
VICTOR
Aviso-te que não estou para trotes ou fanfarronices. Não te conheço e peço
que te ausentes.
NEBRO
Acalma-te mortal soberbo! Não queres tu saber quem sou ou porque estou
aqui?
VICTOR
Muito bem, dizes logo o que tens a dizer.
NEBRO
Estou aqui em resposta as tuas súplicas ao Altíssimo. Proponho-te um
negócio para saciar a sede de tua alma, antes caias na demência do espírito.
VICTOR
Mas não te assemelhas em nada a um ser celestial, soldado de alguma legião
angelical.
NEBRO
Tomei este aspecto para que não te consumisses com meu esplendor original.
VICTOR
Penso que sonho.
NEBRO
Eis que te falo desde já um enigma:
“Na maldição das testemunhas de teu sono está a chave e raiz de teu
descanso”.
VICTOR
Pois bem, não compreendo o que queres me dizer, mas vamos ao negócio que
tens a me propor.
NEBRO
O Altíssimo e eu nos condoemos de tuas súplicas e resolvemos por fim a teus
lamentos. Para isso haverás de compactuar-te comigo.
VICTOR
E o que devo eu fazer?
NEBRO
Deves apenas jurar-me que após haver te saciado em teus anseios mais
profundos. Em todos os desejos de tua alma, ao partir deste mundo, estarás
compromissado em ser meu servo fiel numa próxima vida.
VICTOR
Ora, não me preocupa uma próxima vida, pois esta que desfruto constrange-me
tanto a alma, que se não pus fim aos meus dias ainda, é pela covardia em deparar-me
com o desconhecido de além túmulo.
NEBRO
Muito bem, satisfaz-me ouvir-te falar assim, pois não aceitarei revogar o
trato feito, o pacto há ser consumado perante o juramento de ambas as partes.
VICTOR
Espera... Mas antes de compactuar-nos quero saber quais são as vantagens
que deveras levo no acordo. Quais são cláusulas do contrato nosso.
NEBRO
Pois bem ora lhe digo: “Não haverá desejo tua carne que não seja saciado.
Nem enleio de tua alma que não se realize, mas te advirto ao final de tudo
cumprirás tua parte em nosso trato”.
Dize já agora qual um dos anseios de tua alma, um desejo de teu coração e
eu te concederei que seja alcançado.
VICTOR
Muito bem quero que me auxilie a rever em breve aquela que foi e é ainda
minha amada. Já isso conseguido se aliviará a minha alma.
NEBRO
Como se chama ela?
VICTOR
Raquel é seu nome.
NEBRO
Inteira-me acerca de como posso localizá-la e garanto-te que já ao raiar da
manhã estará arranjado teres com ela contato. É casada ou permanece solteira?
VICTOR
A última vez que tive notícias suas estava para noivar, penso que ainda não
se casou.
NEBRO
Bem isto deveras não importa. E vira as costas como se fosse ausentar-se.
VICTOR
Espera como devo eu te chamar? Que palavra devo pronunciar quando me
aprouver invocar-te.
NEBRO
Nebro é meu nome e esta é a palavra que deves pronunciar quando quiseres
que me apresente a ti.
Nebro providenciou então
logo no dia seguinte uma maneira de Victor espreitar os caminhos de Raquel, sua
amada.
Por vários dias se manteve ao longe observando-a, sem
coragem no entanto de abordá-la.
Victor então invoca o
demônio Nebro e pede a este que o auxilie de forma a ter coragem suficiente
para aproximar-se de Raquel.
Nebro então dá a Victor
misteriosa poção a beber, dizendo tratar-se de poção poderosa, a mesma ingerida
por Sêmele na concepção de Baco.



Comentários
Postar um comentário