"NEBRO" - CONTINUAÇÃO 14/05/2019






O EXÍLIO DE VICTOR


          Convêm esclarecer que Victor após haver matado seu irmão, refugiou-se por vários dias num mausoléu de um cemitério antigo. Ajudado por um amigo embarcou numa nau que o levou para longe de sua terra natal.
         Houve claro, intervenção do demônio Nebro que por seu poder e magia  transformou as feições de Victor de modo que ninguém o reconhecesse, até que em lugar seguro aportasse.
         Latejava em Victor a dor de ter que deixar para sempre sua amada Raquel, mas já não sofria tanto como quando Nebro se apresentou a ele pela primeira vez. Afinal ouvira da boca da própria amada, que esta não o amava mais. O que ora Victor sentia era um misto de orgulho ferido e irremediável saudade. Pois o amor tem dessas coisas, muitas vezes – ou porque não dizer sempre – não ser correspondido, não altera aquilo que se sente, ao contrário provoca antes certa obstinação. Verdadeira obsessão quanto a pessoa amada e, enquanto não surge outra pessoa que atinja ou supere a outra em seus encantos, carrega-se vida afora a cruz da paixão.
         Victor era francês e migrou para a Alemanha. A primeira coisa que fez ao aportar naquela terra desconhecida para ele foi beijar uma foto que carregava consigo de Raquel. E era como se aquilo lhe fosse por amuleto. Algo que possivelmente lhe traria sorte em sua nova vida.
         Não foi difícil para Victor instalar-se logo no lugar. Era rico e possuía certa quantia que herdara de seu avô, o que bastava por ora para que ele conseguisse um lugar confortável para morar e pudesse manter por bom tempo seu estilo de vida burguês.
         Um dos problemas a enfrentar era o idioma, pois pouco conhecia do idioma alemão. Quanto a isso Nebro também deu um jeito, fazendo com que Victor ao falar o seu francês fosse interpretado em alemão, e ao ouvir o alemão este lhe fosse por francês.
         Pode assim Victor com facilidade adaptar-se à nova terra. Em pouco tempo fez amigos e seu círculo de relações não era pequeno.
         Foi quando então o dinheiro que herdara começou a minguar e ele se viu aflito, pois na verdade nunca aprendera nenhum ofício específico. Apesar de homem culto que era não possuía formação de bacharel em nenhuma ciência. A cultura que possuía vinha de estudos e leituras que realizou por conta própria.
        Assustou-se também Victor com sua aparência, pois estava envelhecendo. Podia perceber ao contemplar-se no espelho que já havia rugas entre as frontes e seu cabelo principiava a apresentar fios brancos.
        Fazia já algum tempo que não invocava o demônio Nebro e então pensou consigo: “Eis aí uma ótima oportunidade para que eu deveras ponha à prova o real valor do pacto feito. Até agora Nebro sem dúvida interviu em muita coisa a meu favor, porém nada de  grandioso ainda alcancei. Algo que possa eu dizer: “Ó, que magnífico...” E Victor mais uma vez interpela Nebro.



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