"NEBRO" - CONTINUAÇÃO 13/05/2019
O FATRICÍDIO
Victor então encorajado
decide abordar Raquel e põe-se a espreitá-la numa esquina próxima a sua morada.
Era quase noite e a rua estava deserta. Não
demorou muito e Victor divisou o vulto de duas pessoas ao longe. Olhou
atentamente e deu-se conta de tratar-se de Raquel e outro homem. Passado algum
tempo a sombra dos dois cruzaram-se com a de Victor por sobre o lampião de rua.
Victor então aproximando-se, decidido a enfrentar o homem que acompanhava Raquel.
Saído das sombras exclama:
VICTOR
Raquel!
RAQUEL
Quem me chama?
VICTOR
Eu Victor... Acaso não já não te lembras mais daquele que outrora foi
senhor de teus carinhos e afagos?
RAQUEL
Ó Victor, quase me matas de susto!
VICTOR
Quem é o jovem que te acompanha?
LEONARDO
Sou eu Victor teu irmão. Há quanto tempo não nos encontramos.
VICTOR
És tu Leonardo? Ora vejam só... Então agora meu próprio irmão é a razão de
meu tormento, como podes trair-me de tal maneira? Ou acaso não sabias que meu
coração sempre ardeu por esta dama?
LEONARDO
Raquel não te quer mais Victor, conforma-te com isso.
VICTOR
Ela ainda não me disse isso com seus próprios lábios.
RAQUEL
Pois o digo agora Victor. Deixa-me em paz e segue teu caminho.
VICTOR
Indignado e irado ora me encontro nesse momento. Meu próprio irmão me
arrebata a mulher que amo.
RAQUEL
Eu amo Leonardo Victor, e achei melhor ocultar de ti justamente por
tratar-se de teu irmão.
VICTOR
Antes houvesse eu já falecido e o túmulo me fosse por refúgio.
LEONARDO
Conforma-te Victor, outras mulheres há, e tu não estarás só para sempre.
VICTOR
Que belo inimigo me saíste meu irmão. Cala-te, não preciso de teus
consolos.
LEONARDO
Tu sempre foste orgulhoso e imponente, bem o mereces o que está te
acontecendo.
Victor então colocando a
mão na cintura saca de um punhal que herdara de seu avô e exclama:
“Não te darei tempo de repetir estas palavras. Defende-te pois é agora que
te mato!”
E sem dar oportunidade
alguma para que o irmão se defendesse crava-lhe o punhal no ventre.
Raquel solta um grito de
horror. Victor permanece imóvel perante o corpo do irmão que tomba. Ouve um
murmúrio ao longe, volta-lhe o sangue frio e foge apressado, ocultando-se na
escuridão da noite.


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